terça-feira, 30 de junho de 2009












Os meus passos dentro do metrô tem sido embalados pela voz forte e folk do Adam Green. Foi o Nelo quem me falou em Adam Green pela primeira vez e quando um cara é seu amigo e essa cara faz um som que tem a ver contigo e esse cara é o Nelo, então você precisa saber do quê ele está falando.
Eu reconheço o Adam Green no Nelo assim como reconheço Bob Dylan na Cat Power. Dylan cantando Blue Moon é Cat Power cantando A Woman Left Lonely. 

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Pernas antigas, de pessoas mais velhas, deslizam pelo salão e eu estou escondido embaixo de uma das mesas. Em cima da mesa estão os copos de cerveja Polar. Em cima da mesa estão os meus pais pensando que as crianças dormem. Os pés contam segredos que os pequeninos jamais saberão revelar. Para ser colono é preciso ter dormido no chão de um salão de baile, atrás das cadeiras onde ficam as tias que não dançam ou embaixo da mesa dos vô. Colono dormia dentro do Chevette estacionado na beira da estrada. Os vidros estarão fechados embaçados pela respiração do teu primo. Ou do teu irmão. Ou de alguém que você não conhecer. O barulho do baile ao longe, do outro lado da estrada. Os carros bêbados passando tão perto. O barulho do trem. Quem é colono não tem medo de dormir sozinho em um carro abandonado na beira da estrada. Quem é colono não tem medo de dormir sozinho.

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Hoje estou feliz pq terminei a primeira parte do livro que estou escrevendo. É tão boa a tarefa cumprida. Há algum tempo tenho tido vontade de comemorar.


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A tarde estava cinza quando saímos do Sinédoque tentando não enxergar para dentro de nós o tanto de verdade que esse filme contem. É muito mais difícil do que pode parecer. Tudo é muito menos complicado. A vida só é. Ser é agir. Agir é o tempo presente. O resto é pensamento. Teoria. Projeção. E eu não quero plantar os meus pés no abstrato. E eu não devo plantar meus pés sobre hipóteses. E eu não preciso acreditar no que você não vê. Você comentou sobre a tristeza do dia sem saber que dias cinzas nunca são tristes. Às vezes você gostaria de conseguir me conhecer. Você sempre espera coisas que eu jamais imaginaria ter. Cat Power. Bob Dylan. Sinedoque. Onde terminam meus olhos e começam seus medos?
A paulista estava bonita hoje e sempre. E sempre que eu subo as escadas rolantes e vejo o céu do outro lado do vidro, visito São Paulo antes de agora. A paulista que atravessamos ontem não é a mesma avenida que atravessei na tarde de hoje nem será a mesma que atravessarei amanhã. As ruas agem pq é preciso agir.

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Às vezes o telefone toca e é só a sua irmã querendo te contar as novidades do frio. No fundo da ligação são os ruídos da casa e sentir saudade é apenas uma questão de prestar atenção. Saudade das pessoas falando todas ao mesmo tempo na cozinha, na sala, na porta do seu quarto, é só uma questão de opção. E eu sempre preferi o silencio no lugar da confusão. A televisão no ultimo volume. Os velhos quase sem ouvir. Os vapores. Os sotaque. O barulho das tampas natendo contra as panelas. Fragmentos de um passado que não precisa voltar. 
Depois os relatos precisos sobre o frio. Congelar não faz parte dos meus planos para esse inverno. Nesse inverno irei em busca do calor assim como no próximo verão irei em busca do frio. O tempo aqui não é uma realidade da qual estou obrigado a participar. Os pássaros migratórios sempre povoam a minha imaginação. No fim do dia, prefiro a andorinha solitária voando alto, ao rasante das garças voltando todas para o mesmo banhado. Tilintar longe da lareira é o mais importante nesse verão. Congelar para tomar banho não faz parte dos meus planos. Agasalhos. Umidades. O chão da cozinha e a tampa da privada do banheiro no meio da madrugada. Fragmentos de um inverno que não precisa voltar. 

2 comentários:

aaluah disse...

UM SUSTO!

Alien disse...

eu tenho mais medo de foto montada do que de gente bonita!

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