quinta-feira, 11 de junho de 2009

o dever de fazer propaganda

foto de um blog antigo do qual não lembro o nome.



















Existem aqueles dias em que cada peça encontra o seu lugar. Existem os dias em que os desejos têm o exato tamanho do abrigo que estamos dispostos a dar. Existem dias de encaixes. Na sala toca Chet Baker. Faz tempo que não ouço Chat Baker. Vi um filme bonito. “Apenas o Fim”. Farejei muito mais Eric Rohmer do que as pessoas ousaram notar. O filme tem um pouco das coisas que perdemos. Um pouco de um frescor que nunca mais vai voltar. Um frescor ainda sem amargos. Uma canção do Los Hermanos. A tristeza antes de existir. O imaginado tão grande quanto o presente: inalcançável.

O filme tem o olhar fora do tempo. Tropeça em si e faz disso a sua beleza. Musica para quando as luzes apagam. A melhor banda do mundo é aquela que ensaiava na garagem da casa ao lado quando você ainda se surpreendia com as coisas. Quando as garrafas escondiam surpresas. Quando os baseados assumiam liberdade. Quando cada olhar era o primeiro dos muitos que nunca mais vieram. Existiu um tempo em que o único calor era o seu braço encostado no meu. Nós dois sentados na frente de um bar fechado em um domingo à noite. Nós dois e todos os amigos. Muito mais amigos do que o carro do meu pai podia carregar. Eu sempre fui o responsável pelo transporte, mas nunca esqueci de que a sua era a última casa. Manobrava destinos para sobrar só você no banco a lado. Aumentava a distancia para o nosso silencia alcançar o insuportável. Éramos nós dois sentados na calçada da cidade gelada. Oitos horas da noite de um inverno que numa cidade pequena. Baseados correndo soltos. Policiais tomando café do outro lado do vidro embaçado. Nossos braços se esquentando. Você falando o endereço do seu email e eu nunca esqueceria dele. A promessa de uma segunda-feira só nossa. Mas na segunda-feira eu pegaria um ônibus que me levaria de volta para São Paulo. Naquela época eu tinha medo de voar. Achava as turbinas frágeis demais para o tamanho do avião. Naquela época eu sabia aproveitar a beleza das viagens lentas. O cheiro azedo dos ônibus interestaduais. Mijar fazendo a curva. Comemorar dois bancos livres. Naquela época eu fazia as contas para te ver. Depois perdeu a graça. Os medos quase foram embora. A vida encontrou uma lógica perto do entendido.

Existem dias em que tudo se encaixa. Nenhuma angustia aparece na hora errada. Nenhum horário fica sem espaço e as horas encontram uma função de ser. Chet Baker toca na sala. É um cd que toca no DVD. A televisão amplifica o som e o analogismo sempre encontra um jeito de acontecer. O digital não tolera o que cabos amarelos e vermelhos gentilmente trafica.

 

Mas hoje é um dia bom. Quinta-feira. O frio esmaece. Todos podemos sentir preguiça.

Um comentário:

sara lee disse...

o frio esmaelece.

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