quarta-feira, 9 de julho de 2008

eu acho que o problema é quando a pessoa se expõe demais.

ouvir bob dylan. beber vinho. ler. tomar um expresso duplo e uma água sem gás depois do almoço e antes de anoitecer. pensar em alguma coisa bem ruim que poderia me acontecer. ter alguma idéia genial para depois não entender. viver um momento de euforia fugaz. viver um momento de decepção logo após a euforia. checar o email obsessivamente durante todo o dia todos os dias. checar o orkut mesmo quando é manhã cedo. checar o hotmail que não uso mais. apagar spams de festas em que nunca irei. deletar spams de peças de teatro que jamais verei. deletar spams de viagras e pílulas para perder peso e tudo o que não me falta também não me faz feliz. responder a alguém de quem não gosto com um carinho que não sinto. pensar no envelhecimento meu e dos meus pais e do mundo e de todas as pessoas que passam pela vida ao mesmo tempo que eu. ninguém vai sobrar para contar a nossa história. escrever alguma coisa pensando em alguém que não conheço. ouvir cat power bem alto e escrever durante uma música inteira sem parar. fazer um set-list para a próxima meia-hora. tirar um auto-retrato e depois jogar na lixeira. entrar na folha on line e não encontrar nenhuma novidade sobre o mundo e meus problemas. ler blogues de inimigos, de rivais e de afins. ler os blogues dos amigos sem prestar muita atenção quando os textos ficam longos demais. entrar no msn e desconectar logo em seguida. tomar banho duas vezes por dia. olhar para o céu e desejar estar no sol vendo o mundo de longe. pensar em deus como se fosse em mim. ou entre nós. pensar no fim do mundo como se tivesse sido ontem. colocar uma moeda no cofrinho e pensar no quanto de dinheiro em moedas esquecidas se esconde lá dentro. fazer um desenho pensando em coisas que me irritam. criar diálogos imaginários com pessoas com quem gostaria de discutir. responder entrevistas que não foram feitas para mim. dirigir o carro do meu pai com saudade de quando eu era a criança no banco ao lado. sentir impaciência quando eles estão por perto, os homens da cidade de lajeado. tomar um café na padaria suíça e escutar a rádio da univates e perguntar a mim mesmo até quando passarei fome ou até quando comerei sentindo culpa. escrever um texto para depois apagar. olhar para o elefante azul que minha irmã pintou para o filho dela na parede do meu quarto. não entender como foi que a minha irmã virou mãe e nem por que tudo foi tão rápido? lembrar de alguma fotografia que minha mãe tirou. ligar o ar-condiciando e pensar no preço que custa ao bolso deles, os donos da casa. ligar o ar-condicionado e pensar no quanto custa ao mundo esse luxo que é só meu. pensar no quanto de dinheiro me faria feliz. pensar no quanto estou feliz hoje e no tanto que não posso reclamar de nada. de quase nada. ter um pouco de medo de morrer quando penso no que vai vir. ter um pouco de vontade de morrer quando penso que talvez nada venha. é quase certo que não. é bem mais certo que não. sentir o coração cansado. chorar sempre na hora mais errada e cada vez com mais frequência. coisas que eu faço todos os dias. pensar em quem seria eu se eu fosse uma mulher. pensar que eu seria uma senhora grã-fina. pensar que logo serei um velho grã-fino. pensar nas palavras que eu só escutava quando era criança. pensar no quanto de tempo eu  vou continuar sendo eu assim do jeito que eu sou. ler a zero-hora e achar tudo tão chato e tudo tão igual e tudo tão nada, menos quase tudo o que o paulo sant'ana escreve e  quase tudo o que a martha medeiros deixa de escrever para entregar à multidão de dois mais dois igual a mim. quero ser a martha medeiros, mas ninguém pode saber. penso na fran e lembro dela e hoje ela não mais a garota que um dia eu conheci. pensar nas águas passando pelo rio e indo para o guaíba e ver paisagens de natureza e me emocionar com tudo isso. com as plantas crescendo. com o sol caindo. com o pasto afiando orvalho até o último limite antes do sol nascer. pensar no quanto eu te amo. pensar no quão nada eu seria se você parasse de me amar. chorar pensando nos filmes que virão. emprestar problemas ao romance que não vem. que talvez nunca mais virá. esperar respostas de pessoas que não entendem o que quero perguntar. responder o que não me foi perguntando. escrever o que não me é aceito. escrever até nunca mais ser entendido. deitar na cama e desligar a luz da cabeceira e os olhos caindo sobre as páginas do livro que nunca termino. coisas que eu faço todos os dias. 

3 comentários:

paula manzo disse...

escrever até ser nunca mais entendido.


bingo.

Macabéa, Alien disse...

eu não sei se tenho mais medo das tuas fotos ou das tuas palavras.

tantas vezes uma bofetada bem dada me faz melhor que todos os risos amarelos de todos os dias.
por isto eu venho aqui sempre acabar o meu dia. me acabar em mim. na tradução e enigma das tuas palavras.

pensar me mata cada dia um tanto tbm, mas talvez seja o tanto necessário que a morte me faz renascer em mim mesma.

vou atrás de miranda july, porque somente cada um sabe da sua dor e renúncia. somente cada um sabe parir e inventar as suas melhores frestas de fugas.

e hj tem sol.

sara lee disse...

eu acho que a solução é alcalina quando a pessoa se expoe de tudo;)
encotrei o meu clichê-koan, novo bichinho de estimação:
sou feliz porque não preciso
loveio te detras dos óio
vou te comprar chocolate
até qdo vão as filmagens?

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