terça-feira, 28 de abril de 2009

Às vezes você apenas tem vontade de acalmar o mundo.


Quase sempre é complicado entender onde estamos metidos. Às vezes eu me sinto um mergulhados em um caldo negro e espesso à procura do ar. Eu sei que aqui embaixo não adianta abrir os olhos. Aqui reina a escuridão. Não importa se é dia ou se é noite.

Pessoas que sentem medo diante do primeiro passo são um pouco complicadas de se suportar. Às vezes parece que todas as pessoas à minha volta vivem em um tropeço eterno. Sempre voltando antes do primeiro passo. Sempre presos no ultimo passo antes de agora. E quando eu vejo o mundo inteiro assim, eu me sinto sozinho. E eu lembro dos amigos. E por mais que eles tropecem, por mais que eles temam, por mais que eles cansem, eles vivem a última margem antes da queda. Apegam-se aos últimos fios dessa realidade sabendo que esses fios já se cortaram. Encontram-se agora em queda livre, segurando em cabos que despencam sem avisar. Algumas pessoas escolhem quando caminhar. Outras são empurradas para o abismo. É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte. Nossos vinis são pastores. Guias espirituais. Espíritos do abismo comunicando mensagens de um tempo fora do agora. olhamos para trás. E vemos, no fim de tudo, sumindo na nevoa do fim do espaço, as nossas próprias costas eretas e a própria cabeça firme. Enquanto existir espaço entre nossos ombros e nossos ouvidos, haverá beleza e dançaremos. A velhice nos ronda. Pesa nossos pés quando as musicas começam. A velhice está atenta. A velhice não desperta alarmes. A velhice não será surpresa. Estar pronto para tudo. Por mais medo que seja, espere sempre pelo pior. E ele nunca te surpreenderá. 

2 comentários:

leila fletcher disse...

ninguém escapa da inexorabilidade da crítica do determinismo ou pelo menos não sem algum sacrifício...

sara lee disse...

não quero mais ser real
me costura numa história
e quero ficar lá pra sempre

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