segunda-feira, 25 de maio de 2009






















Se perder na poesia é caminho sem volta e eu nunca tive medo de me perder. Vou observando a paisagem e aceito pegar atalhos, mesmo que eles prolonguem infinitamente a distancia entre o que sou e o que serei. Para os que acreditam no tarô, existem cartas que explicam todos os sentimentos humanos. Sempre haverá uma explicação, onde quer que seja, para aqueles que precisam saber. Na vitrola toca Tina Turner. O ano do lançamento do disco é 1986 e eu tento entender quem era eu em 1986. Existimos em 1986? A pequena coleção de discos na parte de baixo da prateleira tem a exata dimensão dos álbuns de fotografias que só herdaremos quando eles morrerem. Quando a casa que antes habitamos se tornar o incomodo. O motivo de brigas. A vida real finalmente batendo na porta dos fundos. Sempre conheci todos os esconderijos da estrada. Sempre serei o fio sobre a ponta de cada pedra. Esperando pelo pior.. O frio gotejando o verde de cada pasto. Esperando pelo pior. O orvalho sangrando lento. Esperando pelo pior. O lado negro de um paraíso. Tenho medo de me perder nas poesias. O atalho delas é longo demais para a agilidade das minhas pernas de jogador de futebol.

Mais importante é ainda ter para onde voltar.

2 comentários:

t. disse...

acho que eu conheço esse tapete.

sara lee disse...

a gente carrega a tragédia
porque temos pra onde voltar.
se não
não haveria o pior
mais nada a perder.
se o que não mata, fortalece,
no nosso caso
o que nos salva, também nos condena.

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