quinta-feira, 7 de maio de 2009

sobre não comemorar. ou delete qualquer comentário antes de fazer.



























Talvez a maior das loucuras seja ter que suportar o silêncio. Ser obrigado a ele. A sala está quase escura. A vitrola está desligada. A geladeira e a moto que acaba de atravessar a noite. De tempos em tempos o ar entra pela janela. A luz verde da luminária pisca e um dia teremos que trocá-la. Um dia iremos embora desse apartamento. Um dia passaremos sozinhos por essa rua onde hoje eu passo todos os dias. Abriremos a janela e lembraremos dos dias de hoje. E vai doer. Mas não tanto assim. Talvez o mundo pare de doer quando o tempo passar. Sentir saudades do agora. Às vezes isto é complicado demais. Eu sei que não se pode escrever sobre o olho do furacão estando no centro dele. Mas, de vez em quando, é preciso tentar. 
O silêncio continua na casa. Estou mais calmo.
A cidade é grande. Grande demais. E às vezes seus ruídos beiram o insuportável. Motocicletas pequenininhas. Carrinhos freando assustados. Buzinas e latidos ridículos. A lua brilhando forte. Você viu como ela está? Conversava sobre a lua. Sobre a via-lactea. E eu senti saudade de casa. É que agora eu só trocaria tudo por uma banda na ceva 20. O vento do começo do inverno trazendo os primeiros frios. O faróis refletindo o milho seco. A terra evaporando cada vez mais. A chuva que nunca mais ameaçou. Venho de uma terra que sangra. Não vamos conversar sobre a lua em um café na Vila Madalena. Às vezes o mundo se torna óbvio demais. A vida, longe de casa, é obvia demais. Mas eu agüento. Só mais um pouco eu vou agüentar. Daqui a pouco volto a viver um sonho outra vez. Não me acorde. Não faça barulho onde o mundo descansa em paz.
Eu vou dar um jeito. Eu vou dar um jeito. Eu vou ver a vida do lado certo. Mentalizo frases dentro da minha cabeça e eu vou concertar a nossa casa. Vou reparar o nosso telhado e vou varrer, todos os dias, bem cedo, as folhas que caíram no jardim. Há um mundo de minhocas acontecendo debaixo dos nossos pés. O primeiro sol da manhã é o que me faz lembrar das noites em claro. Da angustia feliz de ver o dia começar. A natureza entrega as chaves de graça. Da forma mais obvia. E ainda tem gente que não se dá ao trabalho de entender. Eu quero ser um cara melhor. Eu quero ser um cara melhor. Eu quero ser um cara melhor.
Em noite de lua cheia temos palavras mais bonitas. Temos picas mais duras. Quase não existe medo. Talvez seja hiv. Talvez hemofilia. Eu não sei por que seus olhos ficaram brancos. De vez em quando você chora, eu sinto saudade. Sinto agora a saudade que eu vou sentir. A gente faz o que pode para que nada saia do planejado. 
Hoje saiu. Hoje saiu a cartela oposta à de ontem. É foda, mas por mais que a gente se prepare, a vida SEMPRE vai pegar a gente de surpresa.

2 comentários:

sara lee disse...

beijo o buraco no meio do seu cérebro.
deserto de sonhos.

geheimnis disse...

Tem buraco BEEEEEM melhor pra tu beijar nimim.

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