terça-feira, 5 de maio de 2009

como agora. só que vinte anos antes.













É mais ou menos assim. Os caras têm filhos. Depois passam a vida falando nisso. É mais ou menos assim. Meus amigos estão tendo filhos e eu me vejo obrigado a pensar em coisas sobre as quais não estou preparado. Eles dizem que ninguém nunca está. No meio disso tudo eu me vejo meio filho dos meus amigos que são pais. Se eu tiver que escolher um lado, nunca será o deles. Os filhos sempre estão certos.  Eu defendo tudo o que uma criança deseja.

O café está um pouco mais amargo hoje. Os dias têm sido sonâmbulos. Pesadelos brotam de gestos simples. E eu sei que nenhum gesto é simples. Isso que é o foda. Saber que nada é só aquilo que é. O copo sobre a mesa de cabeceira não é mais só o seu copo sobre a mesa da cabeceira. Talvez você acorde no meio da noite. Talvez eu fale com você. Talvez você acredite nas coisas que eu te diga. Quando amanhece eu nunca lembro de nada. São os outros que escrevem a minha memória. É complicado ser assim. Nem Radiohead – quem vai descobrir o nome do disco?

Estou sentado em uma mesa pequena. Em um lugar pequeno. Em um bairro pequeno da maior de todas as cidades. Nos ouvidos toca Violent Femmes. É só o que tem tocado ultimamente. Ultimamente tenho escutado muita musica. Qualquer coisa. O café está ruim. Amargo demais. Eu não gosto desse lugar mas eu venho por que é o lugar mais sujo e mais perto da minha casa. Em vizinhanças esnobes o podre precisa ser estimulado. Conte comigo para fazer a sua parte.

Hoje um amigo escreveu sobre uma flor específica que lembra o seu grande amor. um amor que morreu em uma dessas manhãs de maio. Ontem eu pensei na possível morte de um amor. Na morte física de um amor. Meu corpo foi o primeiro a reagir. Dor no peito. Braços enrijecidos e garganta apertada. Te abracei, mas você não sentia o mesmo. As palavras de hoje em seu blogue são como flores novas sobre um livro escrito há tanto tempo atrás. Primaveras sobre Risco de Vida. Talvez tenha sido isso o que me fez chorar.

  

3 comentários:

sara lee disse...

é sempre nóis nas frita

geheimnis disse...

só sobra a gente mesmo.

sara lee disse...

e já não é demais?
ahahahahahahahahaha

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