segunda-feira, 20 de outubro de 2008

another gay sunshine day

Talvez a medida exata para um corpo seja uma garrafa antes de dormir. Ou antes de compor uma nova canção. Talvez a medida exata para dizer quem eu sou seja Marianne Faithfull gritando em seus ouvidos para que você nunca possa dormir. Talvez a imensidão exata dos meus cabelos seja o vento entrando pela janela de todas as estradas que ainda não tivemos.
Diga uma verdade antes de dormir e você saberá quem eu sou.
Ontem a noite foi de festa. Os amigos quando se encontram. As línguas antes de terem sido cortadas. Os corações antes do fim. Os sonhos antes do não. A morte antes do se.
Ontem a noite foi de risadas em roda. De goteiras quando não chuva. Ontem a noite foi de nós. Voltei para casa e é sempre estranho voltar para casa sendo dois. Até quando vai ser assim? Ontem eu dormi e a cama não sou somente eu. Até quando vai ser assim? Até quando você vai me suportar? Até quando eu vou me suportar sendo tudo o que não sou ao lado seu? Casamentos são sonos profundos. São respiros antes do salto. São descansos entre duas vidas.
Queria escrever cem vezes a mesma mentira até que ela fosse verdade. Eu escreveria cem vezes. Ou milhão delas. Passo o dia fugindo de mim mesmo em salas de cinema. Passo os dias tentando me encontrar em cenas que eu não seria. Passo os dias à procura de mim mesmo em filmes que não eu. Que nunca serão. Mas se de noite eu sempre volto para casa sozinho. Sempre um pouco mais sozinho de mim mesmo. E se dentro dela eu me encontrar, todos os filmes terão valido à pena. É que hoje. Só hoje. Eu não estou muito feliz.
Como as noite sem amigos. Como os amigos antes do não mais ser.
Os amigos, como a vida, são opcionais. A vida, como os amigos, vale a pena ser cultivada. Eu tento. Mas depois de cada gole de café fica sempre um pouco mais complicado não pensar que talvez não. Que talvez ele arrebente. O coração. Hoje não. Só hoje que não. Dorme. E eu queria deitar. Noite. E eu queria ser.
Quando você disse que me amava eu sabia que era mentira. Aos dezessete ninguém nunca me disse que me amava e eu nunca amei ninguém mas a idéia de amar era o amor no seu estado mais puro. Como amar fantasmas de mim mesmo. Aos dezessete eu caminhava por cemitérios e, pobre de mim, não sabia que toda a vida do mundo estava ali. Depois eu cresci. Todos crescemos. E os amores se tornaram reais e, nem por isso, vivos. Os amores dos dezessete são os únicos de verdade. Hoje tentamos acreditar nessa vida que não é nossa. Onde estão as nossas camisetas das bandas que nos eram cantando até o fim? As agendas com pedaços de nós mesmos? Os cadernos de perguntas que nunca seriam respondidas?
Você é virgem?
Você é feliz?
Você acredita em você mesmo?
Responda não. Cem vezes. À todas as perguntas acima, e considere-se vivo. Encontre-se dentro da canção mais triste do mundo e pense nunca mais poder sair de dentro dela e seja dezessete tatuado em seu coração. Quando você me olhava no recreio eu tentava te amar. Mas entre um gole de Coca-Cola e uma mordida no paste do Folhinha, a vida poderia ter sido tão mais triste do que foi de verdade. Eu chafurdo na tristeza para encontrar quem eu sou. Eu me afundo na lama na expectativa mais sincera de saber quem sou eu. Eu procuro. Mas a vida, às vezes parece fazer nenhum sentido. É quando ela vale a pena. Quando é madrugada e o teu corpo não quer dormir. Quando você é a noite de sábado sem ninguém para sair. Quando você é bonito sem ninguém para saber. Quando você acredita sem ninguém para te mentir.
A vida foi bonita. Mas você não estava lá para entender o quanto.

Um comentário:

sara lee disse...

vamos embora pra onde não se veio
nems e vai a lugar nenhum
ali na esquina do fim

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