quarta-feira, 2 de julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
a mãe precisa erotizar o filho. quanto mais erótica for a relação entre os dois, mais amorosa ela será. mais amada será a mãe e mais amado será o filho. o amor da mãe é a equivalente ao tesão que ela sente por ele. como resistir ao olhar do tesão? essa é a posição do filho. carente de tesão. sempre carente de amor. os entupidos desse amor saberão amar. os carentes desse amor saberão procurar. procurar. procurar. por toda a vida. procurando. procurando. procurando. não existe cuidado completo sem a vontade constante de comer. por isso cuidar dos nossos pais demanda um sorriso conformado e um amor falsificado. não mais queremos comer a carne velha que já nos deu dias de amor. cuidar dos pais nunca será amar como mãe. não sei por quê. ainda não sei. o tempo muda tudo. muda como vemos o próprio tempo. é ele quem nos define.
se isso fosse um blogue agora eu teria que dizer que são exatamente 14 e 38 de uma tarde de terça-feira. um dia me disseram para nunca começar nada em uma terça-feira. demorei para entender. mesmo sem entender todas as terças-feiras trazem a certeza de nada a começar. a frustração da segunda-feira precisa da recompensa do descompromisso oficializado da terça-feira. na terça-feira o meu pensamento não se completa e não se traduz naquilo que gostaria de falar. a terça-feira é uma pedra no caminho. é preciso cuidado com ela.
se isso fosse um email eu te diria que toca cat power. que faz sol do outro lado da janela. que a cortina está-fechada. que a porta está trancada. que meus ouvidos são você cantando em alguma cidade do planeta atravessando a mesma tarde que eu. penso em quantas pessoas podem estar, nesse exato momento, escutando exatamente essa música da cat power. levando-se em consideração que essa música específica que escuto é um experimento músical bonus do dvd speaking for trees. um dvd que nunca foi lançado no brasil. penso em quantas pessoas no mundo podem estar nesse momento escutando exatamente essa música. no que elas podem estar pensando? penso em quantas pessoas no mundo podem estar, nesse momento, lendo alguma coisa que escrevi. e sinto uma vergonha misturada com alguma coisa que me faz muito bem. que me faz um riso bem safado. não sei explicar. por mais que eu procure, nunca encontrarei a explicação para tanta procura. nunca terei o amor que nunca me foi dado. e procuro. procuro. procuro.
na terça-feira minha avó joga bingo com as amigas. hoje a tarde é de números no lugar dos assuntos que não existem mais.
tudo está bem. eu só estou sangrando.
sábado, 28 de junho de 2008
sexta-feira, 27 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008
günter grass - heimweg - geheimnis - raveonettes 2008
sábado, 21 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
sábado, 14 de junho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
noventa e cinco e um, a rádio da univates!
Antes de se falar sobre rádio universitária, é importante apenas retomar as diretrizes básicas que norteiam uma Universidade. A universidade tida como o centro do saber onde têm sempre vez prioritária a discussão, a pesquisa, o exercício da ciência no estado mais puro e belo da palavra. É na universidade que se encontram concentradas as cabeças pensantes de uma sociedade. É na universidade que está o supra-sumo da inteligentsia, da vanguarda, dos olhares ao alto. Homens que pensam criticamente a estrutura social. Cabeças à frente do seu tempo. Visionários. Cientistas, na pureza e na beleza da palavra.
E temos daí, de dentro do nosso Centro do Saber, a rádio da UNIVATES. A rádio da Univates é a voz de uma Universidade tida como a melhor Universidade particular do Rio Grande do Sul. Quem sou eu para dizer o contrário? A Rádio da Univates fala por si só. Nas suas ondas se refletem os prédios de uma arquitetura higiênica, quase germânica na sua funcionalidade. Nas suas ondas a assepsia é tão visível quanto na limpeza dos corredores impecáveis e dos banheiros imaculados. É quase como se estivéssemos na casa de uma tia asseada demais. Sempre tão limpinha. Eu, que sou apenas um aluno temporário de língua alemã, posso ouvir a a rádio da Univates e comprovar, de dentro da sua estrutura física, a limpeza do local. Impecável, na limpeza.
O problema da rádio da Univates é que ela entrega o jogo. Ela é o cartão-postal para quem está de fora dela, e os cartões-postais sempre são um pouco mais bonitos do que o lugar retratado. Ou deveriam ser. A Rádio da Univates é a Univates para quem está fora dela, é propaganda vinte e quatro horas por dia no ar. O problema da rádio da Univates é que ela mostra ser justamente aquilo o que ela é. E no reino da propaganda é preciso nunca mostrar a verdade, quando ela pode não nos beneficiar.
Me distancio da Rádio da Univates para pensar em uma Rádio Universitária e na sua missão social e intelectual. Desculpe, mas não me refiro ao social como uma rádio comunitária ou uma rádio que leia notinhas sobre enchentes, me refiro à uma rádio que entenda o seu papel social na forma mais genuína. Uma rádio comprometida com o ser humano. Assim como a Universidade. Uma rádio que não entrega apenas o que aquela sociedade quer ouvir. Uma rádio que não se submete ao sistema imposto e martelado todos os dias por todos os meios de comunicação e mostra uma nova visão, única e diferenciada, de um meio cultural. Mostra o seu lado. A rádio Universitária mostra o lado da Universidade. Entenderam? A rádio sempre deve ser um pouco menos higiênica do que os seus banheiros. Um pouco mais poluída pelas cabeças pensantes. Um pouco bagunçada pelos professores que extravazam-se de dentro da sala para as ondas do rádio. Pelos alunos nerds que invadem a cabine para tocar a última versão de um Radiohead ao vivo em Glastonburry. A Rádio Universitária é o retrato vivo de uma célula social que pulsa. Ou que deveria pulsar. Pulsar como as idéias quando são acordadas pelo saber.
Onde estão os programas voltados à história músical? Quem pode nos apresentar, nem que seja nas madrugadas de segunda-feira, algo como "as raízes do psicodelismo", "o techno alemão do pós guerra", "o industrial na música"? Estranho demais? Cabeça demais? Hermético demais ? Talvez a maioria desses adjetivos devessem combinar com o pensamento de uma universidade do primeiro time. Uma universidade com alunos e professores pensantes.
Ou poderia se pensar em um programa voltado ao debate de líderes de diferentes facções acadêmicas? Ah. "Facções acadêmicas"? Será que não existem facções acadêmicas na univates? Elas dialogam? O que elas pensam? Onde elas discutem? Como elas se expressam?
Uma solução prática e urgente: a volta do "Só Sonzeira" no final dos domingos. Talvez aos poucos as coisas voltariam ao seu caminho.
Só para constar: nesse exato instante, na rádio da Univates, toca a música da Adriana Calcanhoto. Não aquela faixa conceitual de Maritmo. Nem a nova do Maré. É a música da novela mesmo. Aquela que os alunos gostam e os professores A-DO-RAM.
segunda-feira, 9 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

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sexta-feira, 6 de junho de 2008
terça-feira, 3 de junho de 2008

poderia ser tanta coisa para te dizer. fico tentando imaginar do que se fazem os textos que escrevo. fico tentando descobrir quando foi que os meus dias se tornaram um refúgio. um eterno retiro. a procura de um pequeno esplendor que coroe o final de cada tarde. sempre sozinho. cada vez mais em silêncio. tão longe que até eu mesmo corra o risco de me perder de mim.
sonhei com viagens a noite inteira. a cada novo sonho o meu mote era sempre o mesmo: a iminência de uma viagem.
de uns tempos para cá a minha voz tem sido ouvida. os meus textos, subitamente, começaram a ser lidos embora as minhas idéias ainda não tenham começado a tomar a projeção que espero, um dia, elas tomem. continuo mudando tanto de idéia o tempo todo. o engraçado é que quanto mais as minhas idéias se transformam, mais os meus conceitos se solidificam. conceitos antigos, que eu pregava há tanto tempo e que, de uns tempos para cá, vinham me parecendo tão superficiais voltaram a ser fundamentais para mim. se o significado para o tempo seja mudar o tempo todo, então voltar ao que é superficial pode ser uma parte decisiva do processo. uma rota sempre necessária à jornada. se os tempos são a mudança, pensamentos quase infantis e adolescentes no seu ímpeto de ser eterno, a mudança também pede um retrocesso tanto no pensar quanto no agir. trazer à carne o significado dos conceitos para não perder-se em abstrações. ou voltar a um ponto inicial.
nenhuma visita nunca será idêntica à outra. pelo simples fato de a visita anterior ter sido um fator decisivo à mudança que virá para a próxima. a visita me transforma e querer reviver o passado é lutar contra o ato de viver. morte, portanto.
se o tempo é mudança, mudança é quase certo que seja apenas mais um significado para estar vivo.
um passado ancestral recomeça, pouco à pouco, a se materializar na minha cabeça. como usar o termo "recomeçar" se nada começa duas vezes do mesmo jeito que foi? lembro de quando os meus avós se referiam à “há vinte anos atrás...". vinte anos atrás parecia ser tanto tempo há tão pouco tempo atrás. muito mais tempo do que o meu na terra até então. envelhecer é redimensionalizar não apenas o espaço, mas muito mais o tempo. envelhecer é reaprender as dimensões do pensamento que nunca pára de crescer. como o adolescente que não sabe o que fazer com as extremidades, cada vez mais distantes de si, esbarrando pela casa, tropeçando na mobília. assim somos nós vivendo. tentando entender a direção para onde nosso pensamento segue. o espaço que expandir o entendimento, nos toma. vamos levando os dias tentando encontrar algum equilíbrio sem perceber que o equilíbrio não está em nenhum outro lugar, senão na sua própria procura. se perceber assim implica cair no precipício. é preciso prestar atenção à paisagem antes da queda.
"ou o buraco era muito fundo ou ela estava caindo muito devagar..."
o corpo celestial de onde vem o pensamento cresce dentro de um corpo físico que mingua. os braços cansam. os órgão esfriam. a noite sempre vem. mas eu sei que, se ultrapassar a próxima arrebentação, talvez um oceano de calma prometa me fazer repousar por algum tempo. um tempo de morte, avesso às mudanças. se mudar o tempo todo é estar vivo, talvez a eterna repetição seja morrer. do outro lado do mar existe, ou pode existir, uma europa. ou uma áfrica. os braços precisam ser fortes e as velas bem esticadas para dominar a direção do barco independente do vento. as correntes e os vendavais estão no mar aberto e atingir o porto indesejado é mais fácil do que se imagina.
para onde estamos indo? às vezes é importante se fazer certas perguntas. principalmente quando as suas respostas são tão distantes. quase inexistentes. nada saber, simplesmente para constatar cada pequena descoberta.
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segunda-feira, 2 de junho de 2008
luz silenciosa
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